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30/08/2016 - A máquina infernal

O indivíduo, para ser empresário, deve ter um tremendo desamor à vida para suportar a infernal máquina burocrática, a pressão irresistível do Estado

O Brasil tem cerca de 7 milhões de empresas privadas, entre micro, pequeno, médio e grande negócios. Cada uma, para se estabelecer, tem por trás um sonhador. Ser empresário, dar empregos, recolher impostos, movimentar a riqueza nacional, ser comerciante, produtor rural ou industrial, precisa ter coragem e determinação, principalmente para suportar um dos negócios mais infames aqui instalados, a burocracia.

Outro dia, recebi um convite de um empresário de uma moderna indústria. Diante do maquinário moderno, me impressionei pelo trabalho limpo, totalmente automatizado. Diante da minha admiração, aplausos, o homem sorriu meio pálido e disse o que não esperava jamais ouvir: estou pagando pecados por ser organizado. E passou a descrever a brutalidade com que é tratado pela vigilância sanitária, o crescimento dos impostos municipais, a exorbitante taxa de energia elétrica - multiplicada em três anos por cinco -, e a crueldade das perseguições dos órgãos fiscalizadores, a começar pela Justiça do Trabalho.

O indivíduo, para ser empresário, deve ter um tremendo desamor à vida para suportar a infernal máquina burocrática, a pressão irresistível do Estado, o senhor dono de tudo... Quando alguém se atira a ser empresário, a primeira providência a tomar é “casar” com um contador. Deve procurar o melhor, mais seguro, mais capaz. Seu “casamento” vai durar enquanto a empresa estiver ativa, até que os órgãos fazendários deem a empresa como encerrada (“morta”), um negócio tremendamente difícil e complicado.

Não existe sujeito mais importante na face da terra para um empresário do que o contador. Ele será o responsável para deslindar os mistérios burocráticos de mais de dez mil leis que, ao invés de facilitar a vida do investidor, constituem-se em um tormento para ele. Cada Estado e cada município tem um mecanismo diferente de atormentar o contribuinte, de cobrar impostos, taxas desiguais para o IPTU, ISS, ICMS, IPVA, sei lá mais o que de tanta coisa que se cria para sangrar ainda mais o contribuinte.

A tragédia do investidor não está diretamente associada à responsabilidade de cumprir o ritual de atender às 69 obrigações fiscais, burocracias municipais, estaduais e federais. Nenhum governo tem poder, vontade de diminuir a maldição burocrática, aliás, sabidamente estimulada pela má justiça. Problema brasileiro.



 

Fonte: Jornal A Gazeta
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